segunda-feira, 22 de março de 2010


Ela sabia que não era igual à suas amigas, sabia também que cortar seus dedos maquiados de cores vibrantes e arranhar seus braços não ía fazer a agonía passar. Entre noites cheias de gritos, lágrimas e dor, ela só queria uma coisa, ir embora.




Era uma boa atriz, e de tanto fingir já nem sabia quem era de verdade. Talvez fosse um pouco de tudo, um pouco da garotinha com medo de escuro, um pouco da menina que cresceu com medo de acordar e ver que as promessas tinham sido cumpridas, mas mesmo assim ter um sorriso pronto para levar ao colégio, um pouco da menina que tinha mais medo do pai do que do bicho-papão, e talvez por não suportar ser tudo isso junto buscava sempre intensidade pra superar o amontoado de tudo que existia dentro dela.

Não era mais uma criança, já não existiam monstros, e apesar das sombras nunca sumirem, ela sabia que era passado. Mas mesmo assim, todas as noites, entre músicas e lágrimas, ela tentava não fazer algo ruim, e pedia para um Deus que ela as vezes nem sabia se existia mesmo, que as coisas melhorassem.






Um gole na sua vodka pura, feche os olhos...sorria.

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